Polícia liberta jovens que viviam em cativeiro

Depois de nove anos vivendo em condições desumanas e como animais, duas jovens foram libertadas pela Polícia Civil, com o auxílio de uma equipe do Corpo de Bombeiros. O local que servia como moradia preparada pela própria mãe, era uma casa situada na Rua da Caixa D’água, no Bairro Santa Luzia em Manhuaçú, onde as […]

Publicado em 24/02/2012 - 13:23    |    Última atualização: 24/02/2012 - 13:23
 

Depois de nove anos vivendo em condições desumanas e como animais, duas jovens foram libertadas pela Polícia Civil, com o auxílio de uma equipe do Corpo de Bombeiros. O local que servia como moradia preparada pela própria mãe, era uma casa situada na Rua da Caixa D’água, no Bairro Santa Luzia em Manhuaçú, onde as irmãs M.F.P.S,26 e A.P.S,21 anos, passaram boa parte da vida  convivendo com a sujeira,restos de comida que ficavam espalhados por todos os lados,lixo e mau cheiro insuportável.

O inquérito policial teve início a partir de uma ocorrência feita pela Polícia Militar, que recebeu a denúncia de uma assistente social do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), informando sobre a situação de maus tratos, abandono de incapaz e cárcere privado das duas jovens. Com as primeiras informações, a equipe da Delegacia de Crimes Contra a Mulher obteve a informação de que, as duas moças eram portadoras de paralisia cerebral e física. No entanto, a mãe saia para pescar e não se preocupava com as filhas.

Sensibilizada com a precariedade do local e a falta de atenção dos familiares, a delegada Lujan Pinheiro passou um bom tempo debruçada sobre o inquérito, para reunir provas necessárias e solicitar à Justiça o Mandado de Busca e Apreensão na residência. Durante a fase de investigação, a delegada Lujan Pinheiro descobriu que as jovens não se alimentavam, não tomavam medicamentos e, a mãe sequer tinha a preocupação de estar ao lado delas para oferecer pelo menos o necessário. “Ninguém da família se importava com as moças, que ficavam cerceadas até de freqüentarem a APAE para receberem o acompanhamento. Até o próprio irmão que morava próximo, parecia achar aquela cena “tenebrosa” como algo bastante normal”,conta a delegada Lujan Pinheiro, bastante sensibilizada com o que pôde acompanhar no local, que parecia uma pocilga.

Ação participativa no resgate

Após concluir o inquérito policial, a delegada de Crimes contra a Mulher, Dra.Lujan Pinheiro encaminhou ao Ministério Público e à Justiça todas as informações e, prontamente foi atendida para o cumprimento de Busca e Apreensão.

Na última quinta-feira, policiais civis acompanhados das assistentes sociais Adriana Salazar e Gleicione Póvoa Garcia foram ao local, a fim de cumprir o Mandado de Busca e Apreensão. Também contaram com uma equipe do Corpo de Bombeiros, para fazer a locomoção das duas jovens, que sequer conseguiam mobilidade para chegarem até a rua.

No momento em que o trabalho era realizado, até mesmo os policiais acostumados com cenas chocantes não conseguiram conter as lágrimas. A mãe das duas jovens libertadas do cativeiro, M.J.P.S. de 51 anos, não estava no momento. De acordo com a delegada responsável pelo inquérito, a mulher só deu falta das filhas 24 horas depois, quando já estavam internadas no Hospital Cesar Leite. “Ela saia para pescar, voltava à noite e sequer preocupava com o estado deplorável das filhas. Elas serão encaminhadas para o Asilo São Vicente de Paulo. M.J.P.S. foi indiciada pela Polícia Civil e denunciada pelo Ministério Público por cárcere privado, abandono de incapaz e maus tratos”,cita a delegada.

Ela chama a atenção para a participação de toda a sociedade, no sentido de estar atenta para casos como esse ocorrido na Rua da Caixa D’agua-Bairro Santa Luzia. Lá, muitas pessoas sabiam do que se passava, outros percebiam o abandono por parte da família, mas ninguém tomava atitude. “O dever de proteção é do Estado,mas todos podem participar e evitar que mais pessoas continuem sofrendo, sendo cerceadas de sua liberdade”,ressalta a delegada. A população poderá estar contribuindo com doações, para que elas possam ter conforto necessário a partir de agora  e convivência com outras pessoas.

Fonte:Eduardo Satil – Portal Caparaó


  • Plano Assistencial Familiar Vida

    Rua João Alves de Barros, 277
    Centro - Espera Feliz - MG

    (32)3746-1431

    Plantões
    (32) 98414-4438 / (32) 98414-4440

Clique aqui e veja mais