




Manhuaçu(MG) – Uma força-tarefa coordenada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho resgatou 89 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão durante a colheita de café em propriedades de Mutum, Santana do Manhuaçu e Alto Caparaó.
A operação começou no dia 19 e terminou nesta quarta-feira (29), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal. Foram encontrados 45 trabalhadores em Alto Caparaó, 32 em Mutum e 12 em Santana do Manhuaçu. Segundo a fiscalização, todos estavam sem registro em carteira.
CONDIÇÕES DEGRADANTES
Nas frentes de trabalho, não havia instalações sanitárias, e os empregados eram obrigados a fazer as necessidades no mato. Também não eram fornecidos equipamentos de proteção individual. Em duas propriedades, os alojamentos não ofereciam condições mínimas de dignidade. Mulheres estavam entre os resgatados.
A ação foi o maior resgate registrado em Minas Gerais neste ano. Cerca de R$ 654,6 mil foram pagos em verbas rescisórias. Uma das empregadoras ainda não quitou integralmente os valores e foi notificada. Caso não regularize a situação, poderá sofrer novas autuações e responder judicialmente.
O auditor-fiscal Flávio Pena informou que a força-tarefa foi mobilizada após o aumento de denúncias durante a colheita do café, período em que cresce a presença de trabalhadores migrantes do Norte de Minas e do Nordeste.
“O mais importante é o ser humano, é o trabalhador, que precisa ser tratado com dignidade”, afirmou.
A Auditoria-Fiscal informou que a atuação conjunta permitiu localizar todas as frentes, apesar das dificuldades de acesso. Em nota, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais reafirmou o compromisso com o combate a esse tipo de exploração.
Portal Caparaó