Pricila Magro

Este é um artigo ou crônica pessoal de Pricila Magro.
Não se trata de uma reportagem ou opinião do Portal Espera Feliz.

Por trás da capa vermelha

Não importa a história da Chapeuzinho que você vier a ler, o Lobo Mau não é ovacionado, ou transformado em celebridade.

Publicado em 23/01/2020 - 14:31    |    Última atualização: 23/01/2020 - 14:31
 

Nem todos sabem, mas os contos de fadas que invadiram nossa infância são frutos do trabalho da Disney após reformular os contos de terror dos irmãos Grimm. Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, Rapunzel, Bela Adormecida, Branca de Neve e tantos outros em sua versão original não foram escritos para serem lidos antes de dormir. Na verdade, foram criados com a intenção de cultivar medo nas crianças, para que elas não transgredissem normas. Uma educação pautada nas histórias sem finais felizes.

Recordando a narrativa da menina de capa vermelha, a primeira versão foi publicada em 1697 por Charles Perrault (1628-1703). Dois séculos depois, os Irmãos Grimm reformulam a narrativa dando um final diferente da versão feita por Perrault. Na primeira, vemos o lobo devorando a menina e a avó; na segunda, o caçador abre a barriga do lobo, permitindo que as duas personagens saiam vivas.

Independente do século em que é contada, ainda que apresentada na meiga moldura das telas de cinema atuais, observa-se que a mensagem central é a mesma: O LOBO MAU É MAU!

Matar crianças e mulheres, mutilar seus corpos, praticar canibalismo ou qualquer ato de violência é uma conduta inaceitável, seja em 1700 ou 2020.

Os contos de fadas podem ser considerados uma espécie de fábula, com moral e ensinamento de valores. O certo e o errado transmitido por meio do lúdico. Aprendemos desde novos que matar é uma conduta inaceitável no meio social.

Não importa a história da Chapeuzinho que você vier a ler, o Lobo Mau não é ovacionado, ou transformado em celebridade. A sociedade, pelo menos no mundo fictício, condena o assassinato.

No Brasil, um homem (em 2013) é condenado a 22 anos e três meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, em razão do desaparecimento e morte da mãe do seu próprio filho (Eliza Samúdio). Houve rumores, na época, de que o corpo dessa mulher foi dado aos cachorros.

Não é um conto de fadas, ninguém salvou Eliza e o autor do crime já cumpre pena no regime semiaberto depois de mais ou menos seis anos da sua condenação.

Se você achou que a versão original da Chapeuzinho era macabra porque o Lobo Mau come a vovó e a neta, imagina viver num mundo onde um assassino volta aos campos de futebol e é recebido pela população como um ídolo, com direito à fila para fotos e autógrafos.

Não me oponho à ressocialização do detento; oponho-me a colocá-lo numa posição de ídolo, especialmente quando o futebol exerce tanta influência sobre as crianças. Que exemplo estamos dando a esses meninos que futuramente serão maridos e pais? Por pior que seja, Charles Perrault escreveu um final mais feliz do que aqueles que tão duramente conhecemos.

Por Pricila Magro.

Sobre Pricila Magro

Pricila Magro é bacharela em Direito por escolha; professora por vocação. Desde os 15, não sabe gostar de outra banda senão Coldplay. Escreve por prazer, lê porque acredita que essa é a melhor forma de nos humanizar. A filha mais nova que não é nem meiga nem fofa. Sincera demais para os padrões "mimimi".


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