Farley Rocha

Este é um artigo ou crônica pessoal de Farley Rocha.
Não se trata de uma reportagem ou opinião do Portal Espera Feliz.

É vermelho-comunista a bandeira do PT?

Deixamos de lado o campo das artes para discutirmos a relação entre a verdadeira ideologia do PT e os fundamentos do Comunismo.

Publicado em 23/04/2018 - 13:18    |    Última atualização: 23/04/2018 - 13:18
 

Estamos no Zero Grau, Chico e eu, dividindo uma Brahma e confabulando sobre filmes, músicas, educação e os limites entre astrofísica e poesia. Até que a conversa, invariavelmente, pende ao já fatídico tópico “política” e às questões que envolvem o partido do Lula.

Depois de falarmos sobre cinema alternativo europeu e as comoventes crônicas científicas do astrônomo norte-americano Carl Sagan, deixamos de lado o fascinante campo das artes para discutirmos a enfadonha relação entre a verdadeira ideologia do Partido dos Trabalhadores e os fundamentos do Comunismo – paradigma este causador de equívocos desde os debates de TV aos falatórios pouco imparciais de botequim.

Para averiguarmos a questão, resgatamos do fundo da memória o que nos ensinaram os professores do, cada vez mais longínquo, Ensino Médio e das disciplinas básicas dos primeiros anos da faculdade.

Após dois ou três copos de cerveja, construímos uma teia de lembranças que nos permite traçar uma análise – com perdão do trocadilho – sóbria acerca do assunto. Enquanto Chico discorre sobre a estrutura política da antiga União Soviética e os episódios da Guerra Fria, eu resumo em um minuto o que aprendi sobre Marxismo com o professor Veslei Louback.

Beliscando a porção de peixe frito sobre a mesa, constatamos que o Socialismo é um aparelhamento político que implica na extinção das classes sociais de um país, num sistema em que a produção e a distribuição dos bens é realizada de forma igualitária e cooperativista.

Já o Comunismo, em essência, seria o resultado deste processo. A longo prazo, o Socialismo culminaria na autonomia dos próprios trabalhadores, os quais seriam controladores de seu trabalho e dos bens de produção, tornando o Estado obsoleto e desnecessário para esta nova ordem social.

Em tese, o Comunismo – isto é, o que é “comum” a todos – talvez seria o regime político mais democrático para sucumbir o Capitalismo, considerando que este, embora valorize a meritocracia, cria um abismo social em que poucos têm muito e muitos têm muito pouco. Mas o que é fato – e nisto Chico e eu concordamos – é que para a implantação de um sistema igualitário como esse, a civilização teria que evoluir moralmente vários degraus e aceitar que o outro também é digno dos mesmos deveres e direitos. O que, para os dias de hoje, é uma condição nitidamente inconcebível.

Enquanto tomamos a saideira, concluímos que não: o PT não é comunista. Durante seus quatorze anos de governo, sua política teve não mais que uma pegada socialista, considerando que seus programas sociais como o “Minha Casa, Minha Vida”, o sistema de “Cotas” e o aperfeiçoamento do “Bolsa-Família” têm como objetivo diminuir as desigualdades, nivelar as classes e otimizar a distribuição de renda. Países europeus como França, Reino Unido e Portugal, embora sejam essencialmente capitalistas, servem-se de modelos semelhantes – é aqui que Chico e eu nos perguntamos: por que lá funciona e aqui, não?

É porque talvez haja na América Latina um ranço de ideais comunistas que, desde o século passado, vem deixando marcas profundas em nossas repúblicas jovens. Para se virem livres e autônomos de qualquer “embargo imperialista” vindo do norte e de incontáveis golpes de estado por quase todo o continente, nossos países do sul projetavam um futuro promissor baseado numa revolução que, muito tempo atrás, era movida mais pelo idealismo romântico que pelo seu funcionamento prático. O Comunismo puro, como a própria história comprova, fracassou em todos os seus aspectos – nem Rússia, nem China, nem Cuba podem alegar o contrário.

E, só para não perdermos o costume, Chico e eu pedimos mais uma saideira e voltamos a falar sobre educação – este sim, o único assunto promissor capaz de transformar o Brasil, curar a ressaca da ignorância e nivelar as disparidades que assolam os tempos atuais.

Por Farley Rocha.

Sobre Farley Rocha

Farley Rocha é professor, fã do Radiohead e do Seu Madruga. Já plantou uma árvore, escreveu um livro e edita o blog http://palavraleste.blogspot.com


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