As Marias

Por André Leal.

Foto: Abner Almeida.

Eram tantas Marias, que de tentar lembrar, ainda me confundo. Maria das Graças, das Dores, de Fátima, do Rosário. Muitas, centenas ou milhares. Marias aos montes. Tantas foram as Marias que o cartório já não aceitava mais registros de Maria. Bem, na verdade o cartório tentava não aceitar. Homenagem à mãe de Jesus. Não dava pra negar.

Uma dessas Marias cravou-lhe à barriga uma lâmina já enferrujada, cheia de pudores e atraída por maus desejos. Uma lâmina de Maria desnaturada, já saturada, desentendida. Uma Maria perigosa, incalculável, pronta para delitos de deslizes morais e inconformidades. Essa Maria, cuja fama era de difícil, não só cravou-lhe à barriga com uma dose de amargor, como também rompeu-lhe as últimas amarras da moralidade.

Maria da Facada, como ficou conhecida, à igreja não ia e não confessava. Era crime sem castigo, tamanha era sua gravidade. Maria sem Juízo, Maria desvairada. Ela que quando moça arrancava as pétalas das alamandas da Rua Caiana, quase esquina com a Jaime Toledo na tentativa de encontrar seu par, posava agora ao espelho quebrado, despedaçada, perdida nas lembranças da juventude. Sonhava com as panelas da bisa, angu feito na hora, tempero de alho, solitário, solidário, um alho que só de ver já temperava as vistas.

O agredido não morreu, mas se sentiu ofendido e ordenou que Maria fosse ao presídio. Mas o delegado, seu amigo, logo advertiu: – Maria era de bom feitio. Moça de família, jamais seria interrogada. A vítima, então, apenas praguejou e sumiu. Maria, de fato, nunca foi detida, mas moralmente impedida seguia sua vida, na vã esperança de esquecer o ocorrido.

Numa noite, num aterro, levantou-se um vulto e na janela da agressora se posicionou. Maria congelou. Era Astolfo, o esfaqueado, segurando um documento que dizia: “Maria, que sempre amei, flores lhe dei, me derramei, me derreti e, justamente em mim, socou uma mini espada suja de remorsos, meio cega, meio intrépida, meio morta, que me esculpiu um rascunho da morte e, no momento do arrependimento, ainda raivosa, me acusava de qualquer coisa. Maria, te amei, sobrevivi e hoje aqui me despeço”. Desapareceu o vulto e Maria sonhou que uma menina morava em seu ventre. No fundo da cordilheira, já deitada, na silhueta do amargo pesar, na pedra longa e definida, Maria viu a Menina e, desde aquele sonho, todas as manhãs, vislumbrando a paisagem, Maria dizia: “minha pedra, minha menina”. E a lenda que corre até hoje que a filha de Astolfo e de uma louca Maria esfaqueadora, é, na verdade, a conhecida Pedra Menina.

SOBRE O AUTOR

André Leal é fotógrafo, publicitário e escritor. Em 2016 publicou “Os Olhos do Limite Esquerdo” pelas editoras Saraiva e Amazon. Paulistano de nascença, viveu em Espera Feliz durante alguns anos, local onde contribuiu com a inovação e a valorização da profissão da fotografia. Atualmente, reside novamente em São Paulo.

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