Paulo Faria

Este é um artigo ou crônica pessoal de Paulo Faria.
Não se trata de uma reportagem ou opinião do Portal Espera Feliz.

O jabá nos veículos de comunicação da região do Caparaó mineiro

Sob a “desculpa” de publicar o balancete da prefeitura “x”, há sempre um acordo obscuro entre empresários do ramo jornalístico e políticos.

Publicado em 02/04/2014 - 12:34    |    Última atualização: 02/04/2014 - 12:34
 

As primícias básicas do jornalismo dizem que seu exercício deve ser praticado com independência e imparcialidade. Isso quer dizer, que só pode ser considerado jornalismo aquela notícia veiculada sem comprometimento nenhum com empresas privadas ou partidos políticos. O que passar disso ou é ‘informe publicitário’ ou é ‘assessoria de imprensa privada’ (ou puxassaquismo mesmo).

No Brasil, é praxe veículos de comunicação como jornais, sites, blogs, revistas, etc. lucrarem descaradamente em cima de conchavos políticos. Sempre há empresários ávidos pelo lucro fácil e políticos por promoção.

Citando, por exemplo, as mídias que existem por aqui, na região do Caparaó mineiro (Caparaó, Caiana, Espera Feliz, Carangola; só pra citar algumas), é fácil verificar que praticamente todas veiculam notícias vendidas.  É aquela velha história que todos conhecem: no Brasil todo mundo quer tirar leite da máquina pública, e os pseudos jornalistas estão sempre dispostos a venderem seus preciosos serviços a quem lhes pagar melhor. É a famosa prática conhecida como “jabá”.

Portanto, caro leitor, se ao receber um periódico qualquer e lá estiver a fotografia de algum agente público sorridente, feliz, com manchetes do tipo: “Fulano de Tal tapou o buraco da rua Tal” ou “Fulano de Tal reformou o cemitério Tal”, quer dizer que muito provavelmente essas “noticias” estão sendo pagas (e muito bem pagas, diga-se) com dinheiro público. Sim, é o seu dinheirinho sendo usado para promover o seu político.

Ora, se um açougueiro vende um quilo de carne, isso não é notícia, pois, faz parte do ofício deste profissional vender carne. Mas se o mesmo profissional vendeu um quilo de carne contaminada e matou uma família inteira, isso passa a ser notícia pelo simples fato dessa venda ter causado outro efeito, que não foi o de saciar a vontade de comer carne.

Por isso, se um político tapou um buraco na sua rua, isso não é um favor, mas sim uma obrigação. Nada de errado se algum veículo de comunicação privado quiser publicar o feito, desde que haja critérios para isso. E uma das formas de saber se o seu dinheiro está sendo usado para trambicagens junto a jornais, revistas e etc., é pedir à câmara de vereadores uma cópia da relação de gastos com comunicação e verificar se alguma empresa de mídia não está recebendo honorários absurdos para fazer publicidade política.

A lei assegura a liberdade de expressão bem como a publicação de balancetes das contas públicas de prefeituras em jornais. O problema é que sob a “desculpa” de publicar o balancete da prefeitura “x”, há sempre um acordo obscuro entre empresários do ramo jornalístico e políticos.

É bom ficar atento.

Sobre Paulo Faria

Paulo Faria é um amante do cinema de horror e rock ‘n’ roll. É professor por formação, humorista por conveniência e escritor por aspiração.


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