Paulo Faria

Este é um artigo ou crônica pessoal de Paulo Faria.
Não se trata de uma reportagem ou opinião do Portal Espera Feliz.

Fresno: sepultando as boas intenções

Com a democratização das formas de tecnologia, montar uma banda, gravar e divulgar o trabalho, se tornou tarefa das mais simples, e hoje o que se vê, são diversas pessoas de diversos segmentos artísticos inundando a cena musical. Um artista do Butão, por exemplo, ao soltar seu trabalho na rede poderá ser ouvido instantaneamente no […]

Publicado em 06/04/2012 - 00:14    |    Última atualização: 02/04/2014 - 12:19
 

Com a democratização das formas de tecnologia, montar uma banda, gravar e divulgar o trabalho, se tornou tarefa das mais simples, e hoje o que se vê, são diversas pessoas de diversos segmentos artísticos inundando a cena musical. Um artista do Butão, por exemplo, ao soltar seu trabalho na rede poderá ser ouvido instantaneamente no Paraguai. E isso é bom. O problema é que quantidade não é e nunca foi sinônimo de qualidade e as verdadeiras pérolas ficam escondidas e se perdem nesse mar de cantores e grupos.

Quando foi a última vez que você ouviu algum disco que realmente tenha apresentado algo inovador e que tenha sido aclamado pelo público e crítica como uma “revolução” dentro da música? O último o qual me lembro foi o Nevermind do Nirvana em 1991, pra citar uma banda estrangeira, e aqui no Brasil, a estréia do Los Hermanos com seu disco auto-intitulado em 1999. E lá se vão alguns anos…

E hoje, dentro do rock ‘n’ roll, existe algo realmente relevante? Existe algo que possa ser afirmado como a “salvação da lavoura”?

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Navegando pela internet, sempre me deparo com um ou outro comentário a respeito de algum lançamento, mas, como um cético por excelência, procuro me resguardar para não formular alguma opinião precipitada. Mas algo que me chamou a atenção nos últimos dias, foram os diversos  comentários de fãs e da crítica pela Rede a respeito do lançamento do EP “Cemitério das Boas Intenções” da banda gaúcha Fresno. No Youtube, um fã disse “que os pseudos metaleiros que sempre criticaram a banda por ser “emo” estão tomando ‘Cemitério’ no rabo”. Uma outra disse que esse EP da Fresno é “o melhor do mundo”. Nas redes sociais os fãs tratam esse lançamento como se fosse o supra-sumo da música contemporânea, e, até um amigo que curte heavy metal, numa euforia só, me pediu para que eu ouvisse “Cemitério das Boas Intenções” porque segundo ele, “é foda demais”. Tanta gritaria, que os fãs pareciam estarem histéricas (assim mesmo, no feminino…)

Depois dessa histeria toda, fui tomado por um ar de curiosidade e de coragem em ouvir o EP para formular uma opinião a respeito. Fui ouvir com a sensação de alguém indo pra uma sala de tortura, pois, do que já conhecia da banda, estava certo de que não iria gostar.

Pois bem, depois que baixei o CD, já tive logo de cara uma boa primeira impressão: a capa que remete a algo bucólico e nostálgico. Segundo, o próprio título que dá nome ao disco. Nele é sugerido que banda sepultou as boas intenções de agradar ao grande público como fizera nos discos anteriores. Será mesmo?

O disco contém quatro canções, sendo três inéditas e uma regravação acústica da música “Relato de um Homem de Bom Coração”. As três inéditas são bem uniformes: muitos riffs e distorção nas guitarras, um vocal esforçado em adaptar-se ao novo direcionamento musical, letras metafóricas e um baixo pulsante; aliás, o grande destaque do disco fica por conta do baixista, o maior responsável pelo peso colossal e os arranjos principais (já que solo de guitarra não tem nenhum sequer). Isso fica claro logo na abertura com a faixa “Crocodilia”, da qual o baixo é o “ator principal”.  “A gente morre sozinho”, com seus seis minutos de duração é a mais progressiva do disco e é a que tem uma maior diversificação dos arranjos e um trabalho excelente das vocalizações, portanto, é a melhor faixa do play.  “Não vou mais”, é uma bela balada, com muito peso e refrão grudento. “Relato de um Homem de Bom Coração” se encontra entre as outras apenas pra completar o disco. A versão original que está no álbum “Revanche” ainda é superior a esta regravação.

É visível que a banda ousou, arriscou e fez um trabalho mais “adulto”, mais “maduro”, ou seja, fizeram aquilo que se espera de uma banda de rock: rock. No disco anterior “Revanche”, de 2010, a banda já dava sinais do próximo passo a seguir. Em “Cemitério das boas Intenções” a Fresno bebeu e muito da fonte do rock alternativo e mostrou um trabalho que se difere das suas irmãs NX Zero, Cine e  Restart… Mas no ar ficam algumas perguntas: Será que a banda num próximo disco ressuscitará as “boas intenções”? Até que ponto o lançamento desse EP não é charminho pra chamar a atenção da crítica e dos detratores da banda?

De qualquer forma, é um trabalho que merece ser ouvido, mas fica a dica: não é nenhum “Sgt. Pepper’s…” do Beatles; não é nenhum “Night at the Opera” do Queen; não é nenhum “Joshua Tree” do U2 e nem é um “As Quatro Estações” da Legião Urbana. Não vai mudar a sua vida e muito menos a história da música. Em suma, não é nenhuma obra-prima e é MUITO MENOS do que se anda falando por aí. É sim um bom disco de rock, com pitadas do rock alternativo, que, se você não for muito exigente dá pra curtir sem muito esforço.

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É aquele típico disco que quando você chega do trabalho, põe pra rodar, ouve, relaxa, mas dificilmente goza.

 

Paulo Faria

paulossfaria@yahoo.com.br

 

Paulo Faria tem vinte e tantos anos; é um amante do cinema de horror, rock ‘n’ roll e das artes em geral. É professor por formação, humorista por conveniência, músico por obsessão e escritor por aspiração.

 

Sobre Paulo Faria

Paulo Faria é um amante do cinema de horror e rock ‘n’ roll. É professor por formação, humorista por conveniência e escritor por aspiração.


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