Paulo Faria

Este é um artigo ou crônica pessoal de Paulo Faria.
Não se trata de uma reportagem ou opinião do Portal Espera Feliz.

Eu ando tão Down

E as paredes do meu quarto vão assistir comigo a versão nova de uma velha história. E quando o sol vier socar minha cara, com certeza você já foi embora.

Publicado em 25/07/2018 - 09:34    |    Última atualização: 25/07/2018 - 12:00
 

Ao amigo Victor Simiqueli

Eu acredito que todos os gênios, por essência, têm a alma torturada dentro um de um pedaço de carne. Eu acredito que todos os gênios que têm a alma torturada regurgitam para o mundo suas angústias mais profundas no afã de dialogar com outras almas torturadas, muitas vezes, bem menos ou nada geniais.  Eu acredito que Cazuza foi uma alma torturada. É dele uma das coisas mais lindas, cruas e geniais canções que um ser humano já pôde parir pra este mundo que não merece ter a presença de gênios. E pra não me perder em retóricas super sinceras, a seguir, reproduzirei aqui, em negrito, aquilo que posso chamar de um ‘soco no estômago’: cruel, realista e melancolicamente verdadeira. Não preciso dizer mais nada porque a canção fala por si só. Sendo assim, esqueça seu padre, psicólogo, pastor ou seu analista: se acomode em uma poltrona, abra um conhaque, leia e ouça esse grito silencioso de emoções oriundas de sentimentos de alguém que só quis dizer aquilo que em algum momento qualquer um de nós precisaria ouvir. Mas se por algum motivo você tentar se matar, não o faça. Como o próprio Cazuza disse: “nessas horas pega mal sofrer”.

Down em Mim – Cazuza

Eu não sei o que o meu corpo abriga
Nestas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down

Outra vez vou te cantar, vou te gritar
Te rebocar do bar
E as paredes do meu quarto vão assistir comigo
A versão nova de uma velha história
E quando o sol vier socar minha cara
Com certeza você já foi embora
Eu ando tão down
Eu ando tão down

Outra vez vou me esquecer
Pois nestas horas pega mal sofrer
Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Down… down…

Por Paulo Faria.

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Sobre Paulo Faria

Paulo Faria é um amante do cinema de horror e rock ‘n’ roll. É professor por formação, humorista por conveniência e escritor por aspiração.


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