A tipologia moderna das formas de poder

A partir de definições sumárias de poder econômico, poder ideológico e poder político, podemos desenvolver cada uma delas por meio de exemplos.

No artigo anterior, intitulado como “a tipologia clássica das formas de poder” o leitor foi convidado a refletir sobre poder e sua influência sobre o comportamento das pessoas, com destaque, em uma análise mais profunda, sobre o poder político.

Fundamentado em Weber, o pensador italiano Norberto Bobbio formulou a tipologia moderna das formas de poder, construída a partir dos meios pelos quais o poder é exercido. O poder econômico é exercido por todo aquele que “se vale da posse de certos bens, necessários ou considerados necessários, numa situação de escassez, para induzir aqueles que não os possuem a certo comportamento, que pode ser, principalmente, certo tipo de trabalho” (BOBBIO, 1984, p. 7). O poder ideológico “funda-se sobre a influência que baseado na influência que as ideias formuladas de certa maneira, ou emitidas em certas circunstâncias, por uma pessoa revestida de autoridade, e difundidas por certos meios, têm sobre o comportamento dos comandados. O poder político é fundamentado na “posse dos instrumentos através dos quais se exerce a força física, isto é, através das armas de qualquer espécie e grau”.

A partir dessas definições sumárias de poder econômico, poder ideológico e poder político, podemos, agora, desenvolver cada uma delas por meio de exemplos.

Poder econômico

Um proprietário de terras exerce poder econômico sobre os trabalhadores rurais sem terra ao induzi-los a trabalhar de uma determinada forma em suas terras (cortando cana ou colhendo café), por um determinado período de tempo (uma jornada de oito horas), em troca de um pagamento.

Poder ideológico

Lideres políticos, sindicais e intelectuais também exercem poder ideológico ao influenciar o comportamento das pessoas por meio de ideias e palavras, levando-as a votar em um determinado candidato ou partido; aderir a uma greve; integrar um movimento; ou participar de uma manifestação pública.

Esses exemplos mostram duas coisas muito importantes. A primeira é que o poder ideológico influencia o comportamento dos indivíduos independentemente do uso de coerção física sobre eles, ou da sua necessidade material. E a segunda é que o exercício do poder ideológico sobre os indivíduos também influencia o seu comportamento político e econômico, sem, contudo, se confundir com o poder político e econômico que é exercido sobre eles.

Poder político

O Estado exerce poder político sobre o indivíduo quando o força a pagar tributos ou cumprir regras e leis.

Apenas o Estado exerce o poder político nas sociedades contemporâneas e civilizadas, pois nenhuma outra organização nessas sociedades tem a exclusividade e legitimidade para empregar a força sobre os indivíduos.

Os partidos políticos, sindicatos, associações, grandes empresas e jornais não exercem poder político. Essas instituições agem sim, politicamente, mas sua ação tem por objetivo influenciar o Estado, mas não exercer o poder político – isto é, utilizar a força de forma legítima e exclusiva – no lugar do Estado.

Os Partidos políticos são organizações que, por definição, procuram exercer o poder político, mas só o exercem, de fato, quando têm o controle do Estado. Nos períodos em que se encontram fora do Estado, os partidos políticos procuraram influenciar o comportamento dos indivíduos a partir de suas ideias, propostas e propaganda política. Nesses casos, os partidos influenciam o sistema político, exercendo poder ideológico, mas não poder político e qualifica a ação dos partidos como “ação politicamente orientada”, diferenciando-a da “ação política propriamente dita”.

É fundamental que você tenha essa diferença em mente para poder compreender o significado e a amplitude do exercício do poder.

No próximo artigo analisaremos as funções do Estado: função legislativa, função executiva e função judiciária.

Fonte: Coelho, Ricardo Corrêa. Ciência política. Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília], CAPES : UAB, 2010. 159p.:il

Por Nilton Martins.


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