Eu juro que não tenho estrutura para isso

Texto de João André Simiquelli.

Publicado em 12/09/2021 - 14:38    |    Última atualização: 12/09/2021 - 14:42
 

Noite de 16 de agosto de 2021, depois de um dia normal, por volta das 22 horas, para ser mais preciso, eu estava checando meu Instagram, com faço à noite. Não sei se deveria continuar fazendo. Entre os posts engraçados e memes de gatinhos entra um vídeo estranho que invadiu as redes por essa data. Centenas de pessoas tentavam, enlouquecidamente, entrar em um avião que partia do Afeganistão. Os que não conseguiram entrar invadiram a pista de decolagem e tentavam se agarrar à fuselagem com a aeronave já taxiando. Arrasto para o lado, próximo vídeo. O avião no ar, decolou apesar de tudo. De repente, um corpo despenca, depois outro. A imagem me chocou, eu não conseguia acreditar que era real. “Eu juro que não tenho estrutura para isso …”, postei, 22 horas e 14 minutos.

Os Estados Unidos resolveram retirar suas tropas do país depois de quase vinte anos de guerra. Essa guerra, supostamente, começou lá no 11 de setembro de 2001, quando Osama Bin Laden, líder de uma rede terrorista (Al-Qaeda), executa o sequestro de 4 aviões cheios de pessoas comuns. Um caiu em campo aberto, confusão a bordo. Outro, jogaram encima do Pentágono, a sede do departamento de defesa dos Estados Unidos. Os outros dois jogaram contra as famosas Torres Gêmeas, 110 andares de movimentação comercial com o mundo todo. Também me lembro de corpos caindo. Mediante o caos, pessoas pularam de alturas absurdas. Quase 3 mil mortos. É… cutucaram a onça.

Lá no Afeganistão, o Talibã dominando. Deram guarida para os terroristas. Claro, são muito amigos, lutaram juntos para libertar o Afeganistão do “comunismo” da União Soviética, durante a tal Guerra Fria (que de fria não tinha nada). Foi uma troca estranha, sai o “comunismo” (bem fajuto) e entra o terrorismo, mas tudo baseado nas leis de Alá. — Quero deixar bem claro aqui que não tenho pelo Islamismo qualquer tipo de preconceito. Não podemos nos esquecer que tanto o Alcorão quanto a Bíblia sempre foram usados para justificar a barbárie. Um cristão pode ler a história de Elias e a viúva de Sarepta e entender que as políticas assistenciais aos vulneráveis é um dever bíblico. Ou pode ler Deuteronômio e justificar o apedrejamento de uma mulher que não se casa virgem. Ambas as passagens estão no Velho Testamento, o que obedecer ou não depende do coração de quem lê.

Ou seja, com essa coisa toda de querer dominar o mundo, os Estados Unidos forneceram armas e dinheiro para a turma fundamentalista e terrorista do Bin Laden, para eles derrotarem a União Soviética no Afeganistão. A guerra era fria para os estadunidenses porque em lugares como o Afeganistão a coisa pegava fogo. Percebemos então que o interesse dos EUA naquele país é bem mais antigo que os atentados terroristas de 11 de setembro. Por que esse interesse todo no Afeganistão? Tem alguma coisa a ver com o fato de o país ser um dos maiores fornecedores de heroína do mundo?

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Eu não vim aqui ser didático, pois corro o risco de repetir um discurso midiático, já me arrisquei demais. Também não vim tomar lados. Sinto pelas vítimas dos atentados de 11 de setembro assim como sinto pelas vítimas no aeroporto de Cabul e todo o rastro sangrento que essa história deixou, deixa e deixará. O que quero é levantar perguntas. Quem lucra com todo o ópio exportado pelo Afeganistão? Os produtores não são, esses fazem para sobreviver. Por que os Estados Unidos não conseguiram acabar com esse tráfico? Não conseguiram ou não quiseram? Seria uma nova versão da Guerra do Ópio? Ou uma continuação, sei lá? Que outros países do mundo teriam interesse nisso?

Bastantes perguntas, mas temos algumas certezas. Uns guerreiam em nome de Deus (Alá, Jesus …), outros da liberdade e “democracia”, outros do “comunismo”, mas todos só querem poder. Ora o terrorismo é amigo, ora inimigo, depois amigo de novo, isso depende muito, quem conta a história decide quem vai ser o lobo mau. Direitos humanos, só se você for estadunidense. Informações, só por meio da grande mídia, ainda assim, fragmentos, não é interessante que as peças do quebra-cabeça estejam expostas.

Ontem, 11 de setembro de 2021. Vinte anos depois e os estadunidenses fazem questão de não deixar o mundo esquecer esta data. Passado o efeito do choque de ver pessoas tão desesperadas a ponto de achar que sobreviveriam agarradas a um avião em pleno voo — O desespero tem disso. É óbvio que eles sabiam que não sobreviveriam, mas já não importava mais. — sigo minha vida tentando lidar com os problemas daqui. “É… tem gente em situação pior”, sempre penso. Mas o fato é que o Afeganistão não está muito longe da gente.

Já que eu comecei falando de memes. Vocês lembram do meu xará, o João? Um menino que viralizou na internet há uns anos atrás dizendo que iria pegar o lobo mau? Discorrendo aqui sobre todas essas informações (ou não) e questões sobre o papel dos EUA nisso tudo, não me sai da cabeça a fala do João Guilherme: 

— A gente vai pegar ele. — Diz João, com uma certa determinação.
— Por quê?

— Porque ele é mau.
— E a gente?
— É mau também. — Gargalhadas.

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Por João André Simiquelli.

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João André é professor, escritor, desenvolvedor e filósofo de boteco. Esquerdista convicto — convicto de que a esquerda não é a solução, mas o melhor caminho. Um enxerido nos assuntos do mundo… só deste mundo, que já é complexo demais.
Autor de “Segredos do 9º A” disponível na Amazon e Kindle Unlimited
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