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As convenções…

Publicado em 29/05/2017 - 13:58    |    Última atualização: 29/05/2017 - 13:58

Quando chegamos a um ponto da vida onde não queremos pertencer a mais nada, corremos o risco de não sermos aceitos.

São quase 23:00 horas quando um gato mia lá fora. Parece que ouvi o cantar de um galo fora de hora! Mas como fora de hora, se disse que o galo cantou às 23:00 horas? Qual estatuto que rege que galo só pode cantar às 03:00 horas da madrugada? Vai ver este lindo galo resolveu transgredir as normas aninhadas no galinheiro. Fico com pena do galo! Hora, pois, pois… se ficar com pena, é sinal de que ele está frito! Meu pai costumava dizer “na fritada dos ovos, vamos ver a gordura que sobra.” Se o ovo foi frito, sinal que o pobre nem chegou ao status de pinto.

Gosto da vida quando tem esta parte de transgressão. Não sei de onde surgiram certas coisas que a sociedade convenciona até virar lei absoluta, decretando ou execrando alguns de certos legados. De repente todos se sentem de…legados, pessoas com aqueles palavreados próprios: “o meliante estava junto ao elemento”. A natureza se compõe principalmente de quarto elementos. Será por isso que querem aprisioná-la aos limites estreitos de sua cela? Por favor, “seu polícia”, cancela esta ideia tresloucada; à natureza cabe sim em uma sela de uma montaria pelas campinas do sem fim. Talvez os desavisados não sabem a diferença entre uma “Sela”, e uma “Cela”.

Aprisionar aos limites da ignorância, traz grandes danos ao processo das habilidades individuais. As pessoas trazem escrito em sua fala o grupo ao qual pertencem. Um padre, conheço a quilômetros quando ouço seu jeito de falar; um evangélico… vichi…. Um espírita então, tem aquele vocabulário próprio, que dá ares de intelectual. Parece que entram todos em uma oficina própria de sua tribo. Um sindicalista conheço às léguas. Muitos quando aprendem uma palavra nova, diz a toda hora sem se perceberem em qual contexto se encaixa. Os políticos, meu Deus, quanta similitude querendo afirmar suas diferenças. Estou dizendo isso porque a sociedade só aceita quem tem seu certificado de origem. Para ser aceito, tem que dizer de onde vem, a que grupo pertence.

Quando chegamos a um ponto da vida onde não queremos pertencer a mais nada, corremos o risco de não sermos aceitos. Vivo a um bom tempo o doce prazer de não pertencer a nada, de não representar ninguém, não ter nenhum cargo, não responder por nenhum sobrenome religioso, político ou ideológico. Embora muitos ainda pairam o olhar em um recorte da minha história, procuram em mim um ser que nem sequer ouso lembrar que existiu. Não se trata de nenhum ato psicótico ou de negação do meu passado, mas o que foi passado levou ferro. Vivo outro estágio da minha vida. Acho que tenho vocação para estagiário. Quando pensam em me efetivar, dou um jeito de mudar o curso, fazer novos percursos. Se me formar vou ter que carregar um título. Quando saio por aí dando palestras, logo querem minha bio…gra…fia. Fia é minha mãe, mas também são minhas filhas. Isso mesmo, minha mãe é Dona Fia, por isso na escola tive pouco tempo para minha ortogra…fia, mas aprendi a fiar palavras nos teares da natureza, cenário que sempre se fez minha cama e minha mesa. Hoje é urgente criar oficinas de tear, onde possamos levar a nova geração a fiar e tecer o novo. Diante deste momento paradoxal, precisamos criar novos paradigmas.

Quando criança minha vida foi intrinsecamente ligada aos reinos da natureza. Dizem que meu umbigo foi colocado em uma árvore de figueira. Furaram um buraco na árvore e colocaram ali meu umbigo, com uma prata por cima. Não sei, esta simpatia não foi tão simpática comigo, porque até pouco tempo estava contando moedas. Mas, por outro lado, parece que meu DNA ficou impregnado à natureza. Acho que entrei em um novo estágio onde…

Costumo dizer que “deixei de ser para SER”. Um dia fiz parte de uma tor…cida de futebol, mas…cida é veneno. Pertenci a uma deter…minada religião, mas percebi que era mesmo terreno minado, uma hora ou outra pisaria em uma ogiva. Estive um grande tempo filiado a um partido político, mas me vi partido, caco de um único mosaico. Embora minha identidade não seja não ter identidade, afinal cada um tem que ter seu RG. Quando vou ministrar uma palestra, vem a pergunta “qual sua formação?” Quando vem a resposta “não tenho formação”, alguma de…formação acontece, quero que me reservem o direito de não ser titulado.

Por tanto, para mim pouco importa se o galo canta às 03:00 ou às 23:00 horas. O importante é que cante mesmo que seja muito preciso ouvir pessoas sem sotaques doutrinárias nas várias escolas de falácias. Hoje fico estupefato com esta geração enfiada com a cara em um celular, não sei se critico a falta de visão ou se elogio por terem ouvidos que se negam a entrar em ressonância com os absurdos que ecoam. Se é mesmo a era digital, porque ninguém consegue colher sua impressão? Será por falta das tintas jogadas sobre as esponjas que absorvem as marcas? Ou será que essa geração digital faz isso através da biometria? Coisas a se pensar. Mas ficar tempo demais frente ao com…puta…dor pode conceber uma geração que não olha para o alto, nem para longe, seus olhos se acostumam a ver aquilo que está a um palmo de seu nariz, com pouco espaço de percepção do ambiente a sua volta. Os sábios antigos diziam que precisamos dar pasto as vistas, entrar em estado de contemplação, mas para isto precisamos nos desconectar das coisas da mente e, hoje, das coisas virtuais, caminhar nos labirintos internos em busca do eu-interior. Acho que a maioria dos “eu” esta interna. Querem me colocar em um forMATO onde for…mato um pedaço de mim.  Tenho consciência que meu “eu” faz parte da melodia sinfônica do uni…verso, onde de fato encontro a poesia da vida. No entanto sou singular, deixem eu ouvir meu som na contramão da história, pois nunca serei normativo. Prefiro ser essa metamorfose ambulante – ou apenas um rapaz latino-americano sem…

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